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01/04/2017 | Concebido por Goioerê

Estudo lista hipóteses para explicar por que 2ª onda de microcefalia foi menor

Estudo lista hipóteses para explicar por que 2ª onda de microcefalia foi menor

Por que a segunda onda de casos de microcefalia no Brasil foi menor do que a de 2015? Em artigo publicado no New England Journal of Medicine, pesquisadores brasileiros lançam três hipóteses para a expressiva redução de casos novos em 2016, quando comparada com 2015.

Os autores – entre eles, Wanderson Oliveira, Cláudio Maierovitch e Eduardo Hage – observaram uma semelhança importante na evolução epidemiológica entre dois problemas relacionados ao zika, a Síndrome de Guillain-Barré e microcefalia.

Em 2015, quando a epidemia de zika atingiu sobretudo a região Nordeste do País, foi registrado um aumento muito importante da síndrome, até então considerada rara. Os casos ocorriam em média 3 semanas depois do aparecimento dos primeiros sintomas de zika. Pacientes com a síndrome apresentam uma paralisia progressiva, começando pelos membros inferiores e podendo chegar ao pulmão.

Quase quatro meses depois desse aumento inesperado de Guillain-Barré, os casos de microcefalia começaram a surgir. Autores notaram que os gráficos (formados a partir da distribuição do número de novos casos ao longo das semanas) de Guillain-Barré e de microcefalia praticamente se repetiam. “O comportamento era muito parecido, com uma diferença de 23 semanas entre eles”, conta Cláudio Maierovitch, pesquisador da Fiocruz.

Em 2016, a curva de Guillain-Barré se repetiu. “A distribuição de casos ao longo das semanas foi muito semelhante ao de 2015”, diz Maierovitch. Para alívio de profissionais de saúde e da população em geral, no entanto, o aumento de casos de microcefalia, esperado para tempos depois, não ocorreu.

Pesquisadores citam três hipóteses para explicar a mudança de comportamento. A primeira delas é a redução importante da circulação do zika. Os casos de Guillain-Barré teriam sido consequência não de uma reação ao zika, mas de chikungunya, vírus também transmitido pelo Aedes aegypti e igualmente associado à Guillain-Barré.

“Experiências de outros países mostram que a chikungunya também provoca a síndrome, mas com menos frequência do que a zika”, explica o pesquisador da Fiocruz. Isso poderia justificar em parte o número de casos de pacientes com a síndrome não tenha aumentado muito, em relação a 2015. “A epidemia de chikungunya foi em grandes proporções. Mas acredita-se que sua capacidade de provocar a síndrome seja menor do que zika.”

A segunda hipótese é de que a epidemia registrada no Nordeste de microcefalia esteja associada a um outro fator, ainda não identificado. “A transmissão do zika da mãe para o bebê pode ser um dos fatores da microcefalia, mas talvez não o único. Uma possibilidade é a de que esse fator associado não tenha se repetido em 2016.” Autores citam ainda a hipótese de que o medo da microcefalia tenha reduzido o número de gestações em 2016 ou ampliado os casos de aborto. “São três hipóteses. Uma não exclui a outra”, diz Mairovitch.

Fonte: GOIOERÊ | CIDADE PORTAL | ISTO É

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